Linguagem, conceitos e analogias
May 4, 2008
Linguagem envolve formar conceitos ou palavras, isto é, conjuntos que abrangem um número de padrões de percepção sensorial, seja o estímulo sensorial externo ou interno.
Por exemplo, o conceito “andar” é um conjunto que abrange um grupo de padrões de percepção sensorial, de qualquer pessoa ou certos tipos de animal mexendo suas pernas de uma tal maneira e se movimentando a uma tal velocidade.
A compreensão do conceito “andar” se dá pela associação ou analogia entre esses padrões de percepção sensorial e o uso da palavra na linguagem.
Os conceitos em si e as analogias podem se dar de forma independente da linguagem. Assim, nós podemos conhecer bem uma pessoa, e ter um conceito mental único para ela, mesmo se não soubermos o seu nome; mesmo que uma palavra, sonora, visual, ou escrita (movimento manual), não esteja associada a esse conjunto conceitual, ou que não consigamos lembrar dessa palavra, do nome da pessoa.
A criança forma sua linguagem pela analogia das palavras ouvidas com os conceitos que são conjuntos de padrões de percepção sensorial reconhecidos (os estímulos sensoriais podem ser vindos do meio interno, do próprio cérebro, ou do meio externo, do ambiente). Os conceitos em si podem influenciar a parte linguística da pessoa, e serem, inversamente, influenciados pela linguagem exterior.
Se um computador fosse se tornar fluente na linguagem humana, talvez precisasse ter padrões de percepção sensorial e ser capaz de formar analogias de maneira similar aos humanos.
Ao aprender uma língua nova, ou se associa as palavras da língua nova aos conceitos (conjuntos de padrões de percepção sensorial) da forma como existem e são usados nessa língua, ou se tenta associar as palavras dessa língua aos conceitos (conjuntos de padrões de percepção sensorial) existentes, correspondentes às palavras de uma língua materna.
Pode haver mais ou menos rigidez ou flexibilidade nos conceitos, de forma que eles correspondam a (sejam conjuntos de) padrões de percepção sensorial mais ou menos delimitados e específicos. Podem haver conceitos separados para azul e verde, ou um único conceito para as duas cores. O primeiro é um conceito mais específico, e o segundo mais abrangente.
Para poder usar a linguagem é necessário o uso de analogias, que é relacionar um conceito a outros. Isso pode incluir ver de que forma eles são comuns ou de que forma eles são distintos. Fora o ser humano, os animais são notoriamente limitados quanto à capacidade de aplicar um conhecimento antigo a uma situação nova, que é um processo que, ao que me parece no momento, envolve a consciência, não é feito “automaticamente” pelo inconsciente, mas precisa de pensamento voluntário e atento.
No entanto, uma forma de analogia é comum aos animais e aos humanos, o dito condicionamento psicológico. Temos uma experiência boa, então é criada uma analogia entre o que ocorreu antes e a recompensa depois, e o comportamento é reforçado no futuro. Inversamente, uma experiência ruim é guardada na memória com uma analogia ruim, e o comportamento é evitado. Isso funciona a graus variados de positividade e negatividade, tanto nos animais como nos humanos e é parte importante do comportamento. Isso é aplicar um conhecimento antigo a uma situação antiga, ou a uma situação algo parecida com a antiga, e é um processo percebido mais ou menos como automático para a consciência, ou seja, ele não passa pelo filtro da consciência para se manifestar, é um tanto inconsciente e involuntário. Isso pode inspirar idéias sobre a natureza da consciência dos outros animais.
Aplicar um conhecimento antigo a uma situação nova (diferente) parece ser um aspecto importante da inteligência. Dessa forma, se testes de QI medem a capacidade de fazer certos tipos de analogia com conceitos novos, eles medem uma parte da inteligência. Podem falhar, talvez, em medir outras partes.
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1.
Diego | May 7, 2008 at 2:01 am
Analogia como base do pensar
http://prelectur.stanford.edu/lecturers/hofstadter/analogy.html
Recomendo, para a questão do significado das palavras Naming and Necessity Saul Kripke e Word and Object Quine.