Simulação de realidade
May 24, 2008
A consciência humana não participa da tomada de decisões, já que qualquer tomada de decisões necessita uma máquina física para a realizar, um cérebro ou computador. Assim, a vida poderia ser, teoricamente, experienciada, exatamente do jeito que é, na forma de uma ilusão, como um filme, em que não é possível ao observador controlar os acontecimentos. Esse filme precisaria cobrir todos os sentidos humanos, que não são apenas cinco, mas onze, segundo a psicologia – e processos internos e conscientes do cérebro também são sentidos, como pensamentos, emoções e memórias.
Para tornar um filme assim possível ao observador, seria preciso primeiro o deprivar dos seus próprios sentidos da realidade verdadeira, e então os substituir pelos sentidos do filme, o que não é impossível, e necessitaria de uma manipulação física do cérebro, talvez conectando partes dele a um computador, ou a um cérebro artificial. Seria ainda mais fácil criar consciência diretamente num computador ou cérebro artificial que passasse a essa consciência os sentidos desse filme, da mesma forma como o nosso cérebro passa à nossa consciência os sentidos da realidade externa e de seus processos internos.
Para tornar possível a criação de um filme assim, seria necessário: ou o gerar artificialmente por computador, ou o gravar com base em acontecimentos reais, ou uma combinação dos dois, isto é, com aspectos reais e aspectos artificiais. Se o filme for artificial de alguma maneira, é possível que ele seja grandemente diferente da realidade, inclusive com regras físicas diferentes, e com lógicas diferentes, de modo que, julgando pelo filme, não seria possível saber como é a realidade verdadeira.
Um filme poderia passar apenas uma parte da vida e fazer a consciência sentir que já havia experienciado o tempo anterior, por meio de memórias implantadas.
Se o filme fosse interativo, sendo assim mais como um jogo, ele poderia deixar, digamos, o pensamento, ocorrer de fora dele. Esse jogo, para ser possível, necessitaria ser, ao menos em parte, artificial (dependendo das características do jogo, totalmente artificial), e precisaria de uma tecnologia e de uma complexidade muito maiores do que seria necessário para um filme, pois o jogo teria que se adaptar às infinitas possibilidades de escolha do observador ou jogador.
Não é impossível que estejamos vivendo um filme agora. A grande questão seria: por que fazer um filme assim? Para criar um filme assim, seria necessária a existência de alta tecnologia. Para haver alta tecnologia, e para a sua manipulação, é necessária alta inteligência. Para haver um filme assim, seria necessário que ele cumprisse uma utilidade, e essa utilidade precisaria ser ainda mais relevante pelo fato desse filme incluir dor e sofrimento, um prejuízo real. Já que os criadores precisariam ser inteligentes, eles saberiam disso. Qual a utilidade que um filme feito da maneira como é a nossa realidade poderia ter para tais criadores inteligentes? Se essa utilidade não existir ou não puder fazer sentido, podemos nos assegurar de que não estamos vivendo numa simulação de realidade, mas no mundo real.
É interessante pensar nas possibilidades futuras para a criação de tais tipos de filmes ou jogos, e pensar sobre o que seria proveitoso criar no futuro pode nos dar dicas a respeito de se a nossa realidade ser uma simulação faria sentido.
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