Proposta de pleno emprego
June 16, 2008
O capitalismo me parece um meio excelente de distribuição da produção das pessoas. Os bens e serviços produzidos são escassos, não há de tudo para todos. A distribuição capitalista é livre, todos podem ter tudo, dependendo da escolha que fazem com o dinheiro que têm ou terão. Cada um ganha o correspondente em bens e serviços àquilo que produziu, o que estimula o trabalho e a inovação. Isso beneficia a todos de uma forma considerável, exceto aos mais pobres e miseráveis. Estes não se beneficiam do capitalismo. Se os desempregados e os mais pobres pudessem receber um auxílio garantido em troca de trabalho, o capitalismo seria bom para todos.
Talvez a ociosidade de parte da mão-de-obra seja necessária para a eficiência do sistema de mercado capitalista (já que ele exige contratações e demissões, sucessos e falências), no entanto, talvez essa mão-de-obra ociosa pudesse ser utilizada temporariamente em empregos pouco especializados e de baixa remuneração, fornecidos pelo governo ou por entidades, até que a pessoa encontre um emprego melhor. Isso daria um pouco mais de segurança à instabilidade de trabalho inerente ao sistema capitalista, e daria um aumento de produtividade considerável à economia da sociedade, sendo não uma alternativa ao capitalismo, mas um “curativo” a alguns problemas sociais existentes nesse sistema.
Pessoas incapacitadas de exercer trabalho não seriam classificadas como mão-de-obra ociosa, mas como dependentes ou inválidos, ainda podendo receber auxílios sem trabalhar, se for o caso (de que esse tipo de auxílio valha a pena).
Já que o simples auxílio aos pobres, não acompanhado de trabalho em troca, como o programa Bolsa-família, causa inflação, principalmente nos alimentos (que é o tipo de produto que tem um aumento de demanda por parte daqueles que usufruem desse auxílio), essa inflação poderia ser revertida a curto prazo se aqueles de baixa renda inseridos nesse programa trabalhassem para produzir alimentos. Esse sistema possivelmente levaria os pobres para o ambiente rural. Outra possibilidade é que a demanda pelos alimentos aumentará a longo prazo a produção existente, e assim as pessoas de baixa renda poderiam trabalhar em qualquer tipo de ocupação que fosse conveniente.
De toda forma, o trabalho feito por essas pessoas daria um retorno financeiro que baratearia enormemente os custos do programa, possibilitando a sua extensão para todas as pessoas que estejam temporariamente desempregadas e que desejem participar (o que seria a meta principal), e o aumento do valor monetário do auxílio. Isso talvez diminuiria a quantidade de miséria e de criminalidade no país.
Possivelmente, com este sistema, o custo da mão-de-obra de baixa qualificação subiria (já que os empregadores teriam menor demanda pelos empregos de baixa remuneração), o que poderia ocasionar alguma inflação, ao menos a curto prazo, no entanto, o preço da mão-de-obra no Brasil ainda é bastante pequeno comparado a outros países mais desenvolvidos, então não acho que seria um grande problema. Teorias mais recentes da relação entre inflação e desemprego confirmam essa suposição, de que, com o aumento do percentual de emprego, a inflação costuma ocorrer a curto prazo mas se estabiliza a longo prazo.
De um ponto de vista libertário, pagar este tipo de auxílio para os desempregados talvez não fizesse sentido, já que seria como um roubo do dinheiro do contribuinte com boa renda, direcionado para o desempregado, de forma que o desempregado de fato seja um prejuízo para o país, e um peso nos ombros dos membros mais produtivos da sociedade. No entanto, de um ponto de vista utilitário, importa o que causa um resultado mais positivo para todos em termos de felicidade, então este tipo de interferência poderia ser eticamente justificável, além do possível resultado de melhorar o ambiente social e diminuir problemas que afetam a todos.
Quanto ao Bolsa-família, tenho a impressão de que ele erra em distribuir auxílio para quem tem filhos — pobres não deveriam ter filhos, e não se deveria os incentivar a ter; quem deve ter filhos são aqueles com renda alta, que têm condições de os criar bem, para serem membros úteis à sociedade, ao invés de os criar mal, para serem prejuízo à sociedade como um todo (em vários aspectos). Talvez seria mais útil um programa que pagasse aos pobres para terem poucos filhos, ou ainda, como na China, os multasse ao terem muitos filhos. Novamente, isso seria errado de um ponto de vista libertário, mas talvez justificável de um ponto de vista utilitário.
Por enquanto esta proposta é apenas um esboço.
Entry Filed under: Uncategorized. .
1 Comment Add your own
Leave a Comment
Some HTML allowed:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>
1.
Thiago | June 19, 2008 at 11:46 pm
Hum…
Rebública Federativa do Brasil
o que é mesmo uma “república” ?. – Genéricamente, união de pessoas pesando em função do bem comum, régidas por uma constituição. (definição minha )
“Outra possibilidade é que a demanda pelos alimentos aumentará a longo prazo a produção existente, e assim as pessoas de baixa renda poderiam trabalhar em qualquer tipo de ocupação que fosse conveniente”
Isso poderá acontecer no futuro, o problema e que o sistema capitalista pouco estimula a produção e também o bolsa-familia, na minha opinião chega a ser anti-constituicional, fere o sentido de repúplica; além de ser um prática, claramente populista, ainda estimula o cidadão que recebe a pensar individualmente. Pois
arrendará votos para o político que o ajudou , mas pouco contribuirá para o bem geral.