Archive for July, 2008
Sobre este blog
Este blog foi iniciado no dia 4 de maio de 2008, exatamente um ano após 4 de maio de 2007, dia em que eu comecei um sistema de anotações particulares de pensamentos, um tipo de “thought diary”.
Nesse sistema, sempre que eu pensasse uma idéia interessante, eu a anotava e a elaborava mais extensamente num arquivo de texto do Bloco de Notas. Dessa forma, eu não esqueceria aquilo que tivesse pensado; reforçaria a memória repassando a idéia; analisaria a idéia mais a fundo e a criticaria, com o auxílio da escrita, o que funciona como um auxílio artificial à memória de curto prazo e ao pensamento isolado, possibilitando que eu analisasse meus pensamentos de forma mais séria e profunda; reforçaria o hábito de pensar, pois me dava motivação cumprir uma meta de tal número de arquivos de pensamentos por mês, e a cada arquivo que eu adicionava eu me sentia satisfeito.
Esse sistema evoluiu da necessidade, que eu notei em anos anteriores, de não esquecer pensamentos, pois eu sou uma pessoa que tem muitas idéias e pensamentos, e eu sentia que grande parte desses pensamentos eram perdidos no esquecimento, e eu os refazia sem lembrar algum tempo depois, como se fossem novos, ou simplesmente os perdia como se não tivessem sido feitos.
Por um tempo eu tentei anotar os pensamentos no Word, mas não deu certo. O Bloco de Notas é simples, prático e rápido, o que facilitou a eficácia do sistema. No Bloco de Notas eu não preciso pensar na formatação do texto, na fonte e na cor, etc.; todo o texto é de uma cor só, de uma fonte só, e a formatação é simples e básica.
Após algumas tentativas, achei que a melhor forma de nomear os arquivos é colocar a sua data, seguida por algumas palavras-chave do assunto, por exemplo: “2007-10-05-poupanca-investimento.txt” – note o formato da data, que possibilita uma melhor ordenação dos arquivos.
No ano de 2007 esse sistema de anotações particulares funcionou de uma forma muito boa. Foi um ano extremamente produtivo intelectualmente, o ano da minha vida em que mais evolui em idéias e conhecimento, de longe. De maio até novembro de 2007, produzi uma média de cerca de 30 arquivos por mês. De novembro de 2007 até maio de 2008 estive com síndrome do pânico e minha produtividade intelectual caiu enormemente, assim como o número de arquivos escritos. Em maio de 2008, coincidindo mais ou menos com a cura do meu pânico e um ano após o início do meu sistema anterior, iniciei este blog, com o intuito de compartilhar minhas idéias e receber feedback, impressões, comentários e críticas dos leitores.
No entanto, tenho notado que o número de textos produzidos caiu. Isso pode ter se dado pelo fato de que é mais difícil escrever no blog que no Bloco de Notas. Para escrever no blog, diferentemente de escrever para mim mesmo, eu tenho que pensar em como será a aceitação do conteúdo por parte dos leitores, e como será o seu entendimento das minhas idéias, tendo que por vezes elaborar explicações que seriam desnecessárias se eu estivesse escrevendo para mim mesmo. Adicionalmente, com a intenção de ganhar boa aceitação e o interesse dos visitantes, tenho procurado caprichar nos textos e os escrever de forma mais interessante, o que demanda tempo e esforço, e acaba finalmente diminuindo a produtividade.
Enfim, tenho notado que este sistema, de publicar minhas idéias e pensamentos no blog, tem desvantagens em relação ao sistema anterior. Eu ainda mantenho o sistema de anotações particulares, mas tenho o usado menos, pois há vezes em que eu publico idéias apenas no blog e não no meu arquivo particular. Na soma dos dois sistemas, o número de anotações produzidas diminuiu.
Isso pode ter se dado também por outros fatores externos, que coincidiram temporalmente com a perda de produtividade, por exemplo: estou jogando Ultima Online, um jogo online viciante que me demanda muito tempo; estou indo na academia e me exercitando, o que pode melhorar a oxigenação do cérebro, no entanto, eu passo lá duas horas fazendo exercícios, durante as quais não penso nem tenho idéias, isso seria aceitável por ser uma parte pequena do dia, mas receio que esse tempo de inatividade mental se torne um hábito que se dissemina ao resto do dia; estou tomando um antidepressivo, Sertralina, que, apesar de melhorar minha fluência verbal e escrita, pode ter efeitos desconhecidos na minha cognição.
Para finalizar este comentário, gostaria de recomendar fortemente aos leitores que adotem um sistema similar de anotações, pelas vantagens, já mencionadas, que ele oferece em relação ao simples pensamento isolado.
Abraços!
3 comments July 18, 2008
Diferenças econômicas individuais
Numa forma de igualdade de salários em que o mesmo pagamento é dado a todas as pessoas por uma quantia fixa de esforço que elas puderem fazer, ocorrerá que aquelas pessoas com mais capacidade não terão incentivo para produzir mais resultado que aquelas com menos capacidade.
Assim, é dado a cada pessoa um salário que equivale em valor de mercado ao valor produzido pelo seu trabalho, segundo a capacidade de cada um. Desta forma todos têm incentivo para dar o máximo de sua capacidade para produzir valor para a sociedade.
No entanto, há o fenômeno da propriedade herdada, e o fenômeno dos empréstimos e dos juros. A propriedade herdada é transferida por motivos emocionais, não racionais (isto chega ao ápice no exemplo da velha milionária que deixou a sua fortuna para o seu gato de estimação). Com a minha teoria da consciência, a racionalidade da herança em si diminui. No entanto, podem haver efeitos secundários benéficos ao fenômeno da propriedade herdada, se por exemplo uma pessoa trabalhar mais e ter a sensação subjetiva (e baseada numa ilusão) de que os seus bens acumulados não serão perdidos. No entanto, essa sensação subjetiva parece ser fraca e pode influenciar o resultado ou não, dependendo também da visão de mundo de cada pessoa.
Se a herança não contribui como motivação a trabalhar, quais os seus efeitos restantes nesse sistema? A herança contribui com uma desigualdade adicional àquela vinda da diferença individual de capacidade, de forma que ela multiplica essa desigualdade geração após geração, já que as condições iniciais melhores são um investimento que renderá a futura capacidade individual melhor. E para os pobres, geração após geração, condições iniciais piores em relação aos ricos levarão a uma capacidade de trabalho menor.
No entanto, o mecanismo causal das diferenças de capacidade de trabalho individual talvez seja desimportante no que se trata dessa lógica de incentivo de trabalho.
O fenômeno dos juros e dos empréstimos… uma pessoa tem direito a uma recompensa pelo trabalho que fez. Outra pessoa não tem direito a essa recompensa por não ter feito o trabalho. A primeira pessoa empresta o seu direito à recompensa à segunda pessoa, e um tempo depois, a segunda pessoa devolve o direito a recompensa à primeira, mas com direito a uma recompensa um pouco maior, esta fração sendo uma pequena recompensa ao serviço de empréstimo.
Se trata mais ou menos do mesmo problema da herança, em que o que está em jogo são as condições iniciais, que ditam a capacidade seguinte de poder de trabalho. O dinheiro gera dinheiro. Isto talvez seja um efeito não-desejado na lógica da recompensa e do trabalho.
O governo coleta impostos de forma desproporcional, de maneira que, embora aqueles com mais capacidade ganhem mais, deles é cobrado mais, e dos que ganham menos, é cobrado menos, ou não é cobrado. Ainda vale a pena trabalhar mais para os que têm mais capacidade.
Ocorre, num sistema assim, que o indivíduo de maior capacidade, além de dar um benefício maior para a sociedade pelo valor do seu trabalho, dá mais imposto do que gasta em serviços do governo (lucro), enquanto que o indivíduo de menor capacidade, além de dar um benefício menor para a sociedade pelo valor de seu trabalho, dá menos imposto do que gasta em serviços do governo (prejuízo).
Logo, quanto mais indivíduos de grande capacidade, menor é o imposto dos pagantes, e maior o valor do trabalho produzido pela sociedade. Quanto mais indivíduos de pequena capacidade, maior é o imposto dos pagantes, e menor o valor do trabalho produzido pela sociedade. Talvez esteja aí a resposta, por que no Brasil se paga muito imposto e se tem poucos bens e serviços, comparado com outros países desenvolvidos.
Poderia-se argumentar que o valor dado ao trabalho produzido por um indivíduo é arbitrário e distorcido dentro de um país. No entanto, a análise desse fator entre países e dos efeitos da globalização reduzem a sua relevância, no que se trata de comparação entre países.
Diferenças em capacidade podem, portanto, explicar diferenças no PIB per capita e na eficiência do governo entre países diferentes.
Em que consistem essas diferenças de capacidade? Seriam diferenças ambientais ou genéticas? Inteligência como medida por QI tem uma boa correlação com riqueza, e é predominantemente genética. Os efeitos do QI podem, por sua vez, melhorar as condições ambientais de educação, potencializando a diferença em nível de país ou região.
Add comment July 16, 2008
Relatividade dos conceitos
Add comment July 15, 2008
Preguiça de pensar
Sempre que possível evitamos pensar, temos preguiça. Me refiro ao tipo de pensamento ativo da parte consciente do cérebro, a parte que supervisiona o resto, a parte da qual temos atenção. Quando há grande atividade cerebral, há um aumento do fluxo sanguíneo para áreas específicas do cérebro. Será que evitamos pensar para poupar energia? Será que inventamos e aceitamos explicações e mitos para não ter mais que pensar sobre as coisas que não compreendemos, visando economia de nutrientes?
Mesmo em repouso, um cérebro humano de 1350g gasta cerca de 25% da energia do corpo; o cérebro de um bebê, 90% de sua energia; o cérebro de outros mamíferos, no máximo 5%.
Uma possibilidade do transhumanismo, já que não temos mais limitações de recursos como há 10 mil anos atrás, é aumentar o tamanho dos nossos cérebros, pois atualmente podemos arcar com os custos nutricionais de um cérebro mais ativo, e a inteligência vale o gasto. Possivelmente foi para poupar energia que a maior parte dos animais não desenvolveu cérebros grandes. Cada grama de cérebro consome 16 vezes mais energia que o mesmo grama de músculo.
Apesar da aparente disposição natural à preguiça de pensar, a descoberta e a curiosidade são coisas naturalmente presentes nas pessoas, e são estimulantes. É possível que com o hábito isso venha a se associar ao pensamento ativo, criando um condicionamento positivo. Assim, o pensamento ativo talvez possa se tornar um hábito condicionado e ocorrer com mais frequência, se for prazeroso.
Add comment July 14, 2008
Escrita no chinês clássico
A linguagem escrita do chinês clássico é semelhante à que Leibniz queria criar.
Cada conceito mental é identificado por um único símbolo, de forma parecida com uma notação matemática (embora grande parte dos símbolos sejam uma aglutinação com sentido de símbolos menores). No entanto, o texto às vezes perde claridade e especificação se comparado ao nosso sistema – será o japonês um bom equilíbrio entre um sistema e outro?
Inicialmente os símbolos eram baseados em formas intuitivamente semelhantes à realidade. Com o passar do tempo foram sendo estilizados e perderam parte da semelhança. Leibniz queria uma semelhança maior e prontamente reconhecível mesmo por quem não conhecesse a linguagem. Isso seria impossível. Não sei se é preferível simplificar o mais possível os símbolos, pois a sua complexidade e “personalidade” ajudam na sua memorização.
No chinês moderno, assim como no japonês, a grande maioria das palavras é simbolizada por mais de um símbolo, como na junção de raízes em algumas das nossas palavras, ou na representação de números grandes, como 40, que utiliza dois símbolos. No japonês, ainda, formas de especificação linguística nas frases são representadas por símbolos fonéticos. Creio que seria possível representar estas especificações linguísticas nas frases de forma puramente simbólica.
O japonês usa um sistema híbrido de representação fonética e simbólica, e não é rígido, isto é, há uma flexibilização ou possibilidade de escolha entre representar certos conceitos simbolica- ou foneticamente, ou ainda, às vezes, com um símbolo ou outro, para dar uma conotação especial.
(escrito em Outubro de 2007)
Add comment July 8, 2008
Linguagem e afirmações
Afirmações definem o mundo em uma direção em oposição a uma outra. Não-afirmações deixam o mundo indefinido. Mas é preciso ver a questão por uma perspectiva da psicologia evolutiva, uma perspectiva biológica, cerebral. Aí as definições podem ser automáticas.
(Negando o que eu disse acima: )
Afirmações não definem o mundo em uma direção em oposição a uma outra. Não-afirmações deixam o mundo definido. Não é preciso ver a questão por uma perspectiva da psicologia evolutiva, uma perspectiva biológica, cerebral. Aí as definições podem não ser automáticas.
(Este estilo de negação é até agradável, irônico, e talvez condicione positivamente o criticismo)
Quando não se está certo sobre a afirmação ou a negação, o que se faz? Se toma cuidado para não fazer afirmações contraprodutivas, afinal, se afirmar é definir em uma direção em oposição a outra, não se quer empurrar o barco para o lado oposto do desejado, certo? Talvez se queira, se isto despertar o senso crítico.
Afirmações parecem contar sempre com um nível de incerteza, e a linguagem parece ser falha. Como é o raciocínio não-linguístico?
X é Y. = [Quem escreve percebe que] X é Y. =
[Quem escreve percebe que] X é Y, [porque... (raciocínio = X é Y |ou| X não é Y.)]
o que é X? o que é Y? o que é ser? X é aplicável a todos X? Y é aplicável a todos Y?
Exemplo:
Céu é azul. = [Quem escreve percebe que] céu é azul. =
[Quem escreve percebe que] céu é azul, [porque... (raciocínio (experiência = céu azul?) = céu é azul. |ou| céu não é azul.)]
o que é céu? o que é azul? o que é ser? céu é aplicável a todos céu? azul é aplicável a todos azul?
(Todo?) céu (sempre?) é azul (todo azul é esse azul? azul é uma categoria que agrupa vários azul)(A luz do sol (fótons, que viajam do sol (estrela, que emite fótons) até o olho humano (que normalmente, mas nem sempre, interpreta colorações com 3 sensores)), passando pela atmosfera da terra (céu), em uma determinada parte do dia, é interpretada pelo cérebro humano como uma variação dentro da categoria de cores associada, em português, ao conceito “azul” (há pessoas, fora da normalidade, que podem ver o azul diferente, ou não distinguir cores))
“Céu é azul” parece perfeitamente válido, mas é apenas um sinal que depende totalmente da interpretação de um leitor, e é a interpretação que tem o significado, não a linguagem em si. A interpretação é diferente da, e muito mais complexa que a, linguagem, por isto a linguagem é altamente imprecisa, e mesmo enganadora.
“Céu é azul” é uma maneira abreviada e dependente de subsequentes elaborações de contexto que são feitas não linguisticamente. Na verdade nós fazemos todo este pensamento automaticamente, sem precisar o elaborar de maneira linguística. A compreensão não-linguística é muito mais rápida, porém menos consciente, às vezes menos analisada. A consciência faz no foco de sua atenção uma supervisão analítica.
Será inadequado interpretar a linguagem como lógica formal, matemática, de forma fixa? Ora, no contexto, nas premissas, é que está o grande potencial de falha. Isto parece concordar com a idéia de Popper de que se pode negar, mas não afirmar com certeza. Ou será que não se pode sequer negar com certeza?
Bom, é preciso uma certa relatividade, um grau de certeza ao invés de certeza absoluta. Se trata então de uma análise de probabilidades. Se tem fatos com 90% de certeza, se baseia nisso um outro com 90%, e assim por diante.
Há de se analisar probabilidades, disso não há fuga, tenta-se, então, maximizar o nível de certeza. Se não se tentasse fazer isto, analisaria-se as probabilidades mesmo com um nível de certeza menor, querendo ou não.
(escrito em Setembro de 2007)
4 comments July 8, 2008