Linguagem e afirmações

July 8, 2008

Afirmações definem o mundo em uma direção em oposição a uma outra. Não-afirmações deixam o mundo indefinido. Mas é preciso ver a questão por uma perspectiva da psicologia evolutiva, uma perspectiva biológica, cerebral. Aí as definições podem ser automáticas.

(Negando o que eu disse acima: )

Afirmações não definem o mundo em uma direção em oposição a uma outra. Não-afirmações deixam o mundo definido. Não é preciso ver a questão por uma perspectiva da psicologia evolutiva, uma perspectiva biológica, cerebral. Aí as definições podem não ser automáticas.

(Este estilo de negação é até agradável, irônico, e talvez condicione positivamente o criticismo)

Quando não se está certo sobre a afirmação ou a negação, o que se faz? Se toma cuidado para não fazer afirmações contraprodutivas, afinal, se afirmar é definir em uma direção em oposição a outra, não se quer empurrar o barco para o lado oposto do desejado, certo? Talvez se queira, se isto despertar o senso crítico.

Afirmações parecem contar sempre com um nível de incerteza, e a linguagem parece ser falha. Como é o raciocínio não-linguístico?

X é Y. = [Quem escreve percebe que] X é Y. =

[Quem escreve percebe que] X é Y, [porque... (raciocínio = X é Y |ou| X não é Y.)]

o que é X? o que é Y? o que é ser? X é aplicável a todos X? Y é aplicável a todos Y?

Exemplo:

Céu é azul. = [Quem escreve percebe que] céu é azul. =

[Quem escreve percebe que] céu é azul, [porque... (raciocínio (experiência = céu azul?) = céu é azul. |ou| céu não é azul.)]

o que é céu? o que é azul? o que é ser? céu é aplicável a todos céu? azul é aplicável a todos azul?

(Todo?) céu (sempre?) é azul (todo azul é esse azul? azul é uma categoria que agrupa vários azul)(A luz do sol (fótons, que viajam do sol (estrela, que emite fótons) até o olho humano (que normalmente, mas nem sempre, interpreta colorações com 3 sensores)), passando pela atmosfera da terra (céu), em uma determinada parte do dia, é interpretada pelo cérebro humano como uma variação dentro da categoria de cores associada, em português, ao conceito “azul” (há pessoas, fora da normalidade, que podem ver o azul diferente, ou não distinguir cores))

“Céu é azul” parece perfeitamente válido, mas é apenas um sinal que depende totalmente da interpretação de um leitor, e é a interpretação que tem o significado, não a linguagem em si. A interpretação é diferente da, e muito mais complexa que a, linguagem, por isto a linguagem é altamente imprecisa, e mesmo enganadora.

“Céu é azul” é uma maneira abreviada e dependente de subsequentes elaborações de contexto que são feitas não linguisticamente. Na verdade nós fazemos todo este pensamento automaticamente, sem precisar o elaborar de maneira linguística. A compreensão não-linguística é muito mais rápida, porém menos consciente, às vezes menos analisada. A consciência faz no foco de sua atenção uma supervisão analítica.

Será inadequado interpretar a linguagem como lógica formal, matemática, de forma fixa? Ora, no contexto, nas premissas, é que está o grande potencial de falha. Isto parece concordar com a idéia de Popper de que se pode negar, mas não afirmar com certeza. Ou será que não se pode sequer negar com certeza?

Bom, é preciso uma certa relatividade, um grau de certeza ao invés de certeza absoluta. Se trata então de uma análise de probabilidades. Se tem fatos com 90% de certeza, se baseia nisso um outro com 90%, e assim por diante.

Há de se analisar probabilidades, disso não há fuga, tenta-se, então, maximizar o nível de certeza. Se não se tentasse fazer isto, analisaria-se as probabilidades mesmo com um nível de certeza menor, querendo ou não.

(escrito em Setembro de 2007)

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4 Comments Add your own

  • 1. Thiago  |  September 4, 2008 at 1:31 am

    Olá Jonatas,

    Se entendi o que quis dizer, não se pode emitr um sentença absotuta, já que isso depende de uma interpretação objetiva, não tão consciente, e, não há, ( vc pode me demonstrar o contrário se souber ) estrutura de linguagem, onde uma sentença expresse com exatidão o significado da idéia.
    Nossa perspectiva inicial é instintiva (relacionada a auto-preservação e continuação da espécie ).Nossa evolução continua, nossas impressões sobre o mundo sensorial são modificadas, aprimoradas. Como premissa de uma afirmação, temos uma impressão sensorial que, não é falsa, mas não é totalmente verdadeira…

  • 2. Jonatas  |  September 4, 2008 at 2:24 pm

    Temrazao, talvez existam afirmacoes que expressem ideias com mais exatidao que outras. 1 + 2 = 3 parece uma afirmação que expressa a idéia perfeitamente. Fora da matemática, no entanto, já é mais difícil pretender ter essa exatidão. テン ハザオ ソブレ オ ヘスト。(entende katakana? ahuaha)

  • 3. Thiago  |  November 2, 2008 at 7:15 pm

    Está certo quanto ao caráter subjetivo da escrita, mas…
    E quanto a orações onde o sujeito é oculto ou indeterminado, ex: “Chove, ou não chove” ?
    Parece que temos mais precisão
    (para movimentar o blog )
    até…

  • 4. Jonatas  |  April 12, 2009 at 9:26 pm

    Bom, ainda é uma questão de “chove quando?” “chove onde?” “chuva é o que, inclui garoa?” hahah

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