Diferenças econômicas individuais

July 16, 2008

Numa forma de igualdade de salários em que o mesmo pagamento é dado a todas as pessoas por uma quantia fixa de esforço que elas puderem fazer, ocorrerá que aquelas pessoas com mais capacidade não terão incentivo para produzir mais resultado que aquelas com menos capacidade.

Assim, é dado a cada pessoa um salário que equivale em valor de mercado ao valor produzido pelo seu trabalho, segundo a capacidade de cada um. Desta forma todos têm incentivo para dar o máximo de sua capacidade para produzir valor para a sociedade.

No entanto, há o fenômeno da propriedade herdada, e o fenômeno dos empréstimos e dos juros. A propriedade herdada é transferida por motivos emocionais, não racionais (isto chega ao ápice no exemplo da velha milionária que deixou a sua fortuna para o seu gato de estimação). Com a minha teoria da consciência, a racionalidade da herança em si diminui. No entanto, podem haver efeitos secundários benéficos ao fenômeno da propriedade herdada, se por exemplo uma pessoa trabalhar mais e ter a sensação subjetiva (e baseada numa ilusão) de que os seus bens acumulados não serão perdidos. No entanto, essa sensação subjetiva parece ser fraca e pode influenciar o resultado ou não, dependendo também da visão de mundo de cada pessoa.

Se a herança não contribui como motivação a trabalhar, quais os seus efeitos restantes nesse sistema? A herança contribui com uma desigualdade adicional àquela vinda da diferença individual de capacidade, de forma que ela multiplica essa desigualdade geração após geração, já que as condições iniciais melhores são um investimento que renderá a futura capacidade individual melhor. E para os pobres, geração após geração, condições iniciais piores em relação aos ricos levarão a uma capacidade de trabalho menor.

No entanto, o mecanismo causal das diferenças de capacidade de trabalho individual talvez seja desimportante no que se trata dessa lógica de incentivo de trabalho.

O fenômeno dos juros e dos empréstimos… uma pessoa tem direito a uma recompensa pelo trabalho que fez. Outra pessoa não tem direito a essa recompensa por não ter feito o trabalho. A primeira pessoa empresta o seu direito à recompensa à segunda pessoa, e um tempo depois, a segunda pessoa devolve o direito a recompensa à primeira, mas com direito a uma recompensa um pouco maior, esta fração sendo uma pequena recompensa ao serviço de empréstimo.

Se trata mais ou menos do mesmo problema da herança, em que o que está em jogo são as condições iniciais, que ditam a capacidade seguinte de poder de trabalho. O dinheiro gera dinheiro. Isto talvez seja um efeito não-desejado na lógica da recompensa e do trabalho.

O governo coleta impostos de forma desproporcional, de maneira que, embora aqueles com mais capacidade ganhem mais, deles é cobrado mais, e dos que ganham menos, é cobrado menos, ou não é cobrado. Ainda vale a pena trabalhar mais para os que têm mais capacidade.

Ocorre, num sistema assim, que o indivíduo de maior capacidade, além de dar um benefício maior para a sociedade pelo valor do seu trabalho, dá mais imposto do que gasta em serviços do governo (lucro), enquanto que o indivíduo de menor capacidade, além de dar um benefício menor para a sociedade pelo valor de seu trabalho, dá menos imposto do que gasta em serviços do governo (prejuízo).

Logo, quanto mais indivíduos de grande capacidade, menor é o imposto dos pagantes, e maior o valor do trabalho produzido pela sociedade. Quanto mais indivíduos de pequena capacidade, maior é o imposto dos pagantes, e menor o valor do trabalho produzido pela sociedade. Talvez esteja aí a resposta, por que no Brasil se paga muito imposto e se tem poucos bens e serviços, comparado com outros países desenvolvidos.

Poderia-se argumentar que o valor dado ao trabalho produzido por um indivíduo é arbitrário e distorcido dentro de um país. No entanto, a análise desse fator entre países e dos efeitos da globalização reduzem a sua relevância, no que se trata de comparação entre países.

Diferenças em capacidade podem, portanto, explicar diferenças no PIB per capita e na eficiência do governo entre países diferentes.

Em que consistem essas diferenças de capacidade? Seriam diferenças ambientais ou genéticas? Inteligência como medida por QI tem uma boa correlação com riqueza, e é predominantemente genética. Os efeitos do QI podem, por sua vez, melhorar as condições ambientais de educação, potencializando a diferença em nível de país ou região.

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